A fundação (e os primeiros resultados) da Humor Lab

Por:  Maryana Rodrigues

Há 4 meses atrás, eu não tinha ideia do que estava por vir. Eu só pensava em como deixar os ambientes mais duros e focados em resultados, em ambientes mais leves e inspiradores. E contra tudo que falaram para eu fazer em 2018, eu fundei a Humor Lab.

Quando eu falava em fazer humor no corporativo, muito ouvi: “Mary, ninguém compra isso” … “Mary, ninguém vai te levar a sério” … “ As empresas só estão pensando em resultado” … “Como você vai mensurar o ROI dessa alegria?”

Colocaram muita água no meu chopp! Tudo me fazia desistir de fundar uma empresa que falasse de humor. Mas se eu deixasse para trás, iria contra a minha verdade, minha natureza.

Quando encarei a depressão há 2 anos atrás, vi muitos amigos, assim como eu, que não se afastaram e continuaram trabalhando. Trabalhando em empresas que não davam suporte emocional ou que mal sabiam que existiam pessoas trabalhando doentes. Isto pois há um número de afastados, mas nenhuma empresa contabiliza quem trabalha doente, com ansiedade, depressão ou síndrome do pânico, por exemplo.

Decidi que se eu ficasse quieta, sem fazer nada, seria cúmplice deste cenário de dor e pressão constante. Então, um dia após uma apresentação minha de stand-up comedy, numa casa em São Paulo eu pensei: por que não levar esse tipo de conexão para as empresas? Porque é muito fácil fazer rir, alguém nesta plateia — a pessoa saiu de casa já querendo rir. Preciso me desafiar e fazer rir quem nem sabe que precisa rir.

Nasceu assim a Humor Lab — a consultoria que acredita que dá pra falar sério sem ser sério. Pesquisei e descobri que os principais gaps de desenvolvimento nas empresas são: AUTOCONHECIMENTO, COMUNICAÇÃO, CRIATIVIDADE e LIDERANÇA. E fui estudar como aplicá-los com humor. Escolhi como público a primeira liderança, visto que são os mais abertos a mudanças, pois têm menos vícios em seu repertório de adulto chato.

E assim começamos, oferecendo palestras e treinamentos para a primeira liderança. Após 4 meses, já capacitamos mais de 500 líderes e falamos para mais de 10 mil pessoas em palestras e eventos em empresas como: Zoom, Ifood, Movile, Sympla, PlayKids, Tim, Loggi, Duas Rodas entre outras.

Dentre os públicos, líderes de tecnologia, do qual muito me disseram ser “heartless” e, surpreendentemente, foi o público com melhor aderência e transformação. Com informalidade e falando no tempo deles, engajamos mudanças de conexão entre as equipes, trazendo uma sensação maior de pertencimento que gera um ambiente seguro ao erro. Ambientes como esse, trazem maior sensação de bem estar e inovação. Foi tamanha mudança que um destes líderes, mudou o nome do cargo para “Head & Heart of Data Analysis”

Além das capacitações, encontrei uma maneira de deixar os eventos corporativos, que são carregados de padrões visuais e condutas ultrapassadas, em ambientes mais descontraídos. Oferecendo o trabalho de mestre de cerimônias, que eu particularmente prefiro me intitular de costureira de eventos, escolhi quebrar o padrão visual de roupa e hoje uso um macacão com capa, pois acredito que gente muito normal não muda o mundo. Precisamos de uma faísca de maluco para criar novas perspectivas. Assim, conduzo os eventos com bom humor e conexão verdadeira com a audiência.

Com tudo isso, meu dia a dia mudou também. Percebi que ensinamos o que mais precisamos aprender. Eu levo uma vida bem leve, sou bem humorada e na maior parte do tempo estou de bom humor. Mas como todo ser humano, tenho meus dias ruins de adultos chatos rsrsrs. Conduzindo a Humor Lab, conscientizei caminhos mais curtos para virar a chave em dias ruins, de entender o motivo da dor e direcioná-la com mais facilidade.

E assim a Humor Lab se fortalece, espalhando bom humor por aí. Não queremos criar um exército de piadistas de plantão, mas sim gerar uma sensação de bem estar comum, com mais otimismo e incentivadores nas organizações.

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